
São onze da noite e ainda te faltam dois temas para rever. A biblioteca já fechou. No teu quarto, o computador continua ligado e a tua cabeça não pára. Se isto te soa familiar, sabe que acontece a muita gente nesta altura do ano letivo.
A universidade exige muito: exames, trabalhos em grupo, a própria adaptação à vida longe de casa. Sentir pressão nessas semanas é uma reação normal. Não é sinal de que haja algo de errado contigo.
Outra coisa é quando essa pressão se prolonga para além da duração de um exame. Ou quando começa a ocupar mais espaço do que aquele que consegues suportar sozinho ou sozinha. Neste guia, abordamos ambas as questões: hábitos que ajudam a lidar com o dia-a-dia na residência e como saber quando é melhor pedir ajuda a alguém com mais recursos do que um amigo ou um familiar.
Começar a universidade significa adquirir novos hábitos: organizar-se sozinho ou sozinha, conviver com pessoas diferentes, gerir o próprio dinheiro e o próprio tempo. É normal que, no início, seja difícil.
A isto costuma-se chamar «stress universitário»: a tensão que se acumula devido aos exames, aos trabalhos a entregar e à adaptação a uma nova vida. Sentir-se nervoso antes de um exame, dormir pior na semana dos trabalhos a entregar ou sentir o estômago embrulhado antes de uma apresentação não é culpa tua. É uma reação comum perante uma fase exigente.
Ao mesmo tempo, essa pressão não deve tornar-se o teu estado normal. Uma coisa é passar algumas semanas pontuais de tensão, e outra muito diferente é sentir esse peso quase todos os dias, durante meses. Nesse caso, convém prestar atenção à situação, sem dramatizar, mas também sem lhe tirar importância.
Este artigo não tem como objetivo fazer-te um diagnóstico. O seu objetivo é ajudar-te a distinguir entre o que faz parte do processo normal de estudar fora de casa e o que justifica uma conversa com alguém com formação em saúde mental.

Não existe uma lista exaustiva de sintomas que indique com certeza que algo está errado. Cada pessoa lida com o stress de forma diferente. Mas há alguns sinais que costumam indicar que é melhor falar com alguém, em vez de ficar sozinho ou sozinha a lidar com isso.
Talvez seja altura de procurar apoio se perceberes que:
Nenhum destes sinais, por si só, significa que tenhas uma condição específica. São indícios de que o teu equilíbrio foi afetado e de que falar sobre isso com um profissional pode ajudar-te mais do que tentares resolver a situação sozinho ou sozinha.
Aviso importante: este artigo tem caráter informativo. Não substitui a assistência de um profissional de saúde mental. Se estiveres a passar por um momento difícil, ou se estes sinais te forem familiares há já algum tempo, fala com o serviço de aconselhamento psicológico da tua universidade ou com um profissional de saúde. Se, em algum momento, sentires que estás em perigo ou pensares em magoar-te, contacta os serviços de emergência da tua zona ou dirige-te a um centro de saúde.

A boa notícia é que não precisas de procurar ajuda por conta própria nem de começar do zero. Quase todas as universidades espanholas e portuguesas dispõem de um serviço de orientação psicológica para estudantes, normalmente gratuito ou a um custo reduzido. Este serviço costuma fazer parte do serviço de apoio ao estudante ou da unidade de bem-estar da tua faculdade.
Outros recursos que podes ter em conta:
Não é preciso esperar por sentir-se mal para recorrer a estes recursos. Marcar uma primeira consulta para falar sobre como está a correr o curso é tão válido como marcá-la quando já se percebe que algo não está bem.
Viver numa residência universitária tem uma vantagem: o dia-a-dia é mais organizado do que num apartamento partilhado gerido apenas por estudantes. Ainda assim, há hábitos que dependem de ti e que fazem a diferença na forma como lidas com o stress.
Dormir mal piora quase tudo o resto: a concentração, o ânimo, a paciência. Tenta manter um horário aproximado para te deitares, mesmo na época dos exames. Evita estudar na cama. E se tiveres dificuldade em desligar, experimenta deixar o telemóvel fora do teu alcance na última meia hora do dia.
Não é preciso treinar intensamente para notar a diferença. Caminhar, subir escadas ou movimentar-se durante quinze minutos já ajuda a aliviar a tensão acumulada. Se a tua residência tiver um ginásio ou uma piscina, isso é mais um recurso para o corpo. Já falámos em detalhe sobre esse aspeto do bem-estar na residência, mas aqui o objetivo é outro: não se trata de praticar desporto com vista ao desempenho, mas sim de usar o movimento como forma de libertar a pressão mental.
Viver numa residência universitária implica atividades quase todos os dias: jantares, saídas, festas entre andares. Não há problema nenhum em dizer «não» de vez em quando. Não ir a uma saída para dormir, ou para ter uma noite tranquila, não faz de ti uma pessoa chata nem menos sociável. Faz parte de gerir a tua energia durante os meses letivos, não apenas numa semana específica.
Na StepHouse, o pessoal da receção e os tutores da residência não substituem um psicólogo, mas constituem um primeiro ponto de apoio próximo. Podes recorrer a eles quando:
Conhecer as pessoas que trabalham na tua residência ajuda, nem que seja apenas porque são rostos conhecidos num edifício onde, no início do ano letivo, convives com desconhecidos. Podes ver como funciona o acompanhamento diário nas nossas residências.
Se morares fora de uma residência StepHouse, o procedimento é o mesmo: pergunta na administração ou na tua universidade quem é a pessoa de contacto para questões relacionadas com o bem-estar dos estudantes.
Aviso: a informação contida neste artigo tem caráter orientativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde mental. Em caso de dúvidas sobre a tua situação ou a de alguém próximo, consulta o serviço de psicologia da tua universidade ou um profissional de saúde.
Sim. O nervosismo antes de um exame importante é uma reação normal do corpo perante algo que te é importante. É diferente quando essa ansiedade surge semanas antes, te impede de dormir bem ou te bloqueia quando te sentas para estudar. Nesse caso, falar com o serviço de orientação da tua universidade pode ajudar-te a lidar melhor com a situação.
O stress pontual costuma ter um motivo claro e uma data de fim: um exame, uma entrega, uma mudança de casa. O esgotamento académico vai-se acumulando aos poucos, com um cansaço que não desaparece mesmo que descanses e uma sensação de desconexão com os estudos que se mantém ao longo do tempo. Se sentires isto durante várias semanas seguidas, vale a pena conversares com um profissional.
A maioria das universidades dispõe de um serviço de aconselhamento psicológico ou de apoio ao estudante, normalmente gratuito. Podes procurá-lo no site da tua faculdade, na secretaria ou perguntando no serviço de apoio ao estudante. Se não o encontrares, o teu tutor da residência também te pode indicar a quem recorrer.
Pode ajudar como complemento. Fazer exercício regularmente melhora o sono e reduz a tensão no corpo. Mas se o mal-estar persistir ao longo do tempo, o exercício não substitui uma conversa com um profissional de saúde mental.
Não há uma forma segura de saber isso à distância, e não há problema nenhum em não ter essa certeza. Presta mais atenção às mudanças do que a um dado isolado: se, de repente, ele falar muito menos do que antes, evitar as chamadas, deixar de mencionar amigos ou planos, ou se a forma como dorme ou come parecer diferente durante semanas. Perguntar de forma direta e sem julgar costuma funcionar melhor do que fazer um interrogatório. Se reparares que ele evita repetidamente o assunto, podes sugerir-lhe, com calma, que fale com o serviço de aconselhamento da sua universidade, ou acompanhá-lo a dar esse passo, se ele precisar. Não é preciso esperar por uma crise para ter essa conversa.