
No primeiro dia, chegas com duas malas, a roupa de cama ainda fechada e a sensação de que toda a gente no corredor já se conhece, menos tu. Não é assim. Os outros acabaram de chegar tal como tu, com a mesma expressão de «vamos ver como isto corre». Fazer amigos na residência não depende de teres sorte com quem ficas ao teu lado, depende de algumas coisas que podes controlar nas primeiras semanas. A diferença em relação à faculdade é que aqui não se vai cada um para a sua casa depois das aulas: continuam a conviver, continuam a cruzar-se na cozinha, continuam a ter motivos para conversar. Isso joga a teu favor, se souberes tirar partido disso.
Numa sala de aula com 200 pessoas, podes passar um semestre inteiro sem trocar uma palavra com ninguém. Numa residência, isso é quase impossível. Vais cruzar-te com os outros no elevador, na lavandaria, na cozinha às nove da noite, à procura de algo para jantar. E todos estão na mesma situação: acabaram de deixar a vossa cidade, o vosso quarto de sempre, o vosso grupo de toda a vida. Ninguém chega com um grupo de amigos já formado.
Essa estrutura faz o trabalho por ti. A vida universitária começa mesmo quando sais das aulas, e é aí que a residência universitária se destaca: os espaços comuns e o calendário de eventos criam oportunidades de convívio que, num apartamento partilhado com duas pessoas ou na casa dos teus pais, simplesmente não existem. Não é preciso forçar nada, basta estares disponível quando essas oportunidades surgirem.
Os primeiros três dias têm mais importância do que parece. Não porque seja aí que tudo se decide, mas porque são os dias em que menos pessoas têm planos definidos e mais vontade têm de fazer alguma coisa.
O que fazer:
O que evitar:

A sala social, o espaço de coworking e a cozinha não são meros elementos decorativos. É aí que quase tudo acontece. O espaço de coworking, em particular, é um local peculiar e útil ao mesmo tempo: vais para lá para estudar e acabas por conversar com quem está ao teu lado sobre um trabalho, um prazo ou uma disciplina que ambos têm de fazer. São essas conversas casuais que mais tarde se transformam em algo mais do que apenas companhia para estudar, e se te interessar o lado profissional dessas ligações, já falámos sobre como tirar partido do networking dentro da residência noutro artigo.
O programa StepForward organiza o calendário de eventos da casa: torneios, jantares, noites de jogos, saídas pontuais. Não é preciso que gostes de tudo o que propõem. Basta ires a um por mês para teres pontos de contacto fixos com pessoas que, de outra forma, nunca terias conhecido. E quanto mais claras tiveres as regras básicas da residência — horários, ruído, cozinha partilhada —, menos atritos terás com os teus vizinhos do mesmo andar e mais fácil será essa convivência transformar-se em amizade. Se quiseres os detalhes, estão reunidas nas nas regras de convivência da residência.
Não é preciso um discurso. Funciona melhor uma frase concreta que abra uma pequena porta:
São frases sem pressão, que não exigem nada em troca e que dão a oportunidade de continuar a conversar, se ambas as partes tiverem vontade. O que não funciona é abordar alguém com um «queres ser meu amigo?» na cabeça. A vida social numa residência constrói-se com pequenos encontros repetidos, não com um único momento perfeito.
Se os grupos grandes te deixam exausto, não precisas de fingir que não. Opta por algo mais modesto e mais específico:
Ser introvertido não é um obstáculo para fazer amigos na residência; é apenas um ritmo diferente. Ninguém está a contar o tempo que demoras.
Se vieres de fora, a língua pode intimidar nos primeiros dias. Ajuda bastante ir direto ao assunto: propor um jogo de padel, cozinhar algo juntos, inscrever-te numa atividade da StepForward em que o plano já está definido e não depende de manter uma conversa fluida numa língua que ainda não dominas totalmente. As residências costumam ter um perfil internacional bastante diversificado, por isso é fácil encontrar alguém na tua mesma situação em relação ao idioma. E se falares espanhol mais ou menos, diz exatamente isso: «falo espanhol mais ou menos, avisa-me se estiver a falar muito depressa»; isso abre mais portas do que ficares calado por medo de cometer erros.

Se passarem três ou quatro semanas e continuares a sentir que não conheces ninguém, não esperes que o problema se resolva por si só. A equipa da receção e o coordenador do StepForward costumam saber quem mais está na tua mesma situação, que atividade tem vagas esta semana ou se há alguém com o teu mesmo horário de aulas que também esteja à procura de algo para fazer. Pergunta algo concreto: «Não conheço ninguém do meu curso aqui, há alguma coisa esta semana em que me possa inscrever?». Também é o momento de recorrer a eles se o problema não for a falta de pessoas, mas sim um conflito pontual com o teu colega de quarto que te está a fazer evitar a zona comum. É para isso que eles estão lá.
Se ainda estás a decidir onde vais viver no próximo ano letivo, vale a pena dar uma vista de olhos às residências StepHouse existem na tua cidade e como é o dia-a-dia em cada uma delas antes de te decidires.
Sim. A maioria dos grupos forma-se entre a terceira e a sexta semana, quando já se realizaram vários eventos e jantares. Duas semanas é pouco tempo para tirar conclusões.
Não tem de ser o teu melhor amigo; basta que a convivência corra bem. Procura o teu grupo noutros locais: na planta, no espaço de coworking, nos eventos da StepForward. Se a relação com ele afetar o teu dia-a-dia, fala com a receção.
Não, mas são a forma mais rápida de conhecer pessoas sem teres de organizar nada. Ir a um desses eventos de vez em quando, mesmo que não te apeteça muito, costuma valer a pena.