Estudantes num residencial universitário. A estudar
25 de agosto de 2026

Como fazer amigos na residência no primeiro mês

5 min

Como fazer amigos na residência universitária durante o primeiro mês

No primeiro dia, chegas com duas malas, a roupa de cama ainda fechada e a sensação de que toda a gente no corredor já se conhece, menos tu. Não é assim. Os outros acabaram de chegar tal como tu, com a mesma expressão de «vamos ver como isto corre». Fazer amigos na residência não depende de teres sorte com quem ficas ao teu lado, depende de algumas coisas que podes controlar nas primeiras semanas. A diferença em relação à faculdade é que aqui não se vai cada um para a sua casa depois das aulas: continuam a conviver, continuam a cruzar-se na cozinha, continuam a ter motivos para conversar. Isso joga a teu favor, se souberes tirar partido disso.

Por que é que numa residência é mais fácil do que na faculdade

Numa sala de aula com 200 pessoas, podes passar um semestre inteiro sem trocar uma palavra com ninguém. Numa residência, isso é quase impossível. Vais cruzar-te com os outros no elevador, na lavandaria, na cozinha às nove da noite, à procura de algo para jantar. E todos estão na mesma situação: acabaram de deixar a vossa cidade, o vosso quarto de sempre, o vosso grupo de toda a vida. Ninguém chega com um grupo de amigos já formado.

Essa estrutura faz o trabalho por ti. A vida universitária começa mesmo quando sais das aulas, e é aí que a residência universitária se destaca: os espaços comuns e o calendário de eventos criam oportunidades de convívio que, num apartamento partilhado com duas pessoas ou na casa dos teus pais, simplesmente não existem. Não é preciso forçar nada, basta estares disponível quando essas oportunidades surgirem.

As primeiras 72 horas: o que fazer e o que evitar

Os primeiros três dias têm mais importância do que parece. Não porque seja aí que tudo se decide, mas porque são os dias em que menos pessoas têm planos definidos e mais vontade têm de fazer alguma coisa.

O que fazer:

  • Deixa a porta do quarto aberta por um bocadinho enquanto desfaças a mala. É a desculpa mais tola e mais eficaz para que alguém pare para cumprimentar.
  • Desce à cozinha ou à sala comum a uma hora em que saibas que vai haver gente, mesmo que não tenhas fome.
  • Pergunta no grupo do WhatsApp do teu andar ou da tua residência. Normalmente já existe desde o primeiro dia.
  • Inscreve-te na primeira atividade do StepForward que vires no quadro de avisos ou no grupo, mesmo que seja um jantar de boas-vindas e não te apeteça muito sair.

O que evitar:

  • Passar o primeiro fim de semana inteiro fora, na tua cidade natal. É tentador, mas acabas por perder o momento em que tudo está mais animado.
  • Ficar só com as pessoas que já conhecias da tua cidade. Não há mal nenhum em encontrá-las, mas se for a única coisa que fazes, demoras mais tempo a abrir-te para os outros.
  • Decidir, em dois dias, que «aqui não há ninguém do meu tipo». Ainda não falaste com quase ninguém para teres a certeza disso.
Estudantes na área comum da residência

Os espaços comuns são o ponto de partida

A sala social, o espaço de coworking e a cozinha não são meros elementos decorativos. É aí que quase tudo acontece. O espaço de coworking, em particular, é um local peculiar e útil ao mesmo tempo: vais para lá para estudar e acabas por conversar com quem está ao teu lado sobre um trabalho, um prazo ou uma disciplina que ambos têm de fazer. São essas conversas casuais que mais tarde se transformam em algo mais do que apenas companhia para estudar, e se te interessar o lado profissional dessas ligações, já falámos sobre como tirar partido do networking dentro da residência noutro artigo.

O programa StepForward organiza o calendário de eventos da casa: torneios, jantares, noites de jogos, saídas pontuais. Não é preciso que gostes de tudo o que propõem. Basta ires a um por mês para teres pontos de contacto fixos com pessoas que, de outra forma, nunca terias conhecido. E quanto mais claras tiveres as regras básicas da residência — horários, ruído, cozinha partilhada —, menos atritos terás com os teus vizinhos do mesmo andar e mais fácil será essa convivência transformar-se em amizade. Se quiseres os detalhes, estão reunidas nas nas regras de convivência da residência.

Como quebrar o gelo sem forçar a situação

Não é preciso um discurso. Funciona melhor uma frase concreta que abra uma pequena porta:

  • «Como foi o primeiro dia? Eu ainda não consigo encontrar a lavandaria.»
  • «Vou buscar um café, vens comigo?»
  • «Também tens aula às nove? Podemos descer juntos.»

São frases sem pressão, que não exigem nada em troca e que dão a oportunidade de continuar a conversar, se ambas as partes tiverem vontade. O que não funciona é abordar alguém com um «queres ser meu amigo?» na cabeça. A vida social numa residência constrói-se com pequenos encontros repetidos, não com um único momento perfeito.

Se preferes manter um perfil discreto: estratégias realistas

Se os grupos grandes te deixam exausto, não precisas de fingir que não. Opta por algo mais modesto e mais específico:

  • Fala primeiro com a pessoa ao teu lado, não com o grupo todo. Uma conversa a sós tem menos peso.
  • Usa o coworking como pretexto. Estar rodeado de pessoas sem ter de manter uma conversa o tempo todo também conta como socializar.
  • Estabelece um pequeno objetivo por semana: uma conversa nova, não uma festa inteira.
  • Dá a ti próprio permissão para saíres mais cedo de um evento. O facto de teres ido já conta, não é preciso ficares até ao fim.

Ser introvertido não é um obstáculo para fazer amigos na residência; é apenas um ritmo diferente. Ninguém está a contar o tempo que demoras.

Erasmus e estudantes internacionais: a barreira linguística não é tão grande como pensas

Se vieres de fora, a língua pode intimidar nos primeiros dias. Ajuda bastante ir direto ao assunto: propor um jogo de padel, cozinhar algo juntos, inscrever-te numa atividade da StepForward em que o plano já está definido e não depende de manter uma conversa fluida numa língua que ainda não dominas totalmente. As residências costumam ter um perfil internacional bastante diversificado, por isso é fácil encontrar alguém na tua mesma situação em relação ao idioma. E se falares espanhol mais ou menos, diz exatamente isso: «falo espanhol mais ou menos, avisa-me se estiver a falar muito depressa»; isso abre mais portas do que ficares calado por medo de cometer erros.

Jovens num treino do Forward

Quando pedir ajuda à receção ou à coordenação da residência

Se passarem três ou quatro semanas e continuares a sentir que não conheces ninguém, não esperes que o problema se resolva por si só. A equipa da receção e o coordenador do StepForward costumam saber quem mais está na tua mesma situação, que atividade tem vagas esta semana ou se há alguém com o teu mesmo horário de aulas que também esteja à procura de algo para fazer. Pergunta algo concreto: «Não conheço ninguém do meu curso aqui, há alguma coisa esta semana em que me possa inscrever?». Também é o momento de recorrer a eles se o problema não for a falta de pessoas, mas sim um conflito pontual com o teu colega de quarto que te está a fazer evitar a zona comum. É para isso que eles estão lá.

Se ainda estás a decidir onde vais viver no próximo ano letivo, vale a pena dar uma vista de olhos às residências StepHouse existem na tua cidade e como é o dia-a-dia em cada uma delas antes de te decidires.

Perguntas frequentes  

É normal não ter feito amigos nas duas primeiras semanas?

Sim. A maioria dos grupos forma-se entre a terceira e a sexta semana, quando já se realizaram vários eventos e jantares. Duas semanas é pouco tempo para tirar conclusões.

O que faço se não me der bem com o meu companheiro de quarto?

Não tem de ser o teu melhor amigo; basta que a convivência corra bem. Procura o teu grupo noutros locais: na planta, no espaço de coworking, nos eventos da StepForward. Se a relação com ele afetar o teu dia-a-dia, fala com a receção.

Os eventos da StepForward são obrigatórios?

Não, mas são a forma mais rápida de conhecer pessoas sem teres de organizar nada. Ir a um desses eventos de vez em quando, mesmo que não te apeteça muito, costuma valer a pena.